Segunda, 25 Setembro 2017

Jailma e a dedicação a doentes fora do hospital – Spitex

Redação do Jornal Perfil

Jailma Lenz, 44 anos, traz na bagagem um extenso currículo. A baianeira, como ela mesmo se considera, uma mistura de baiana com mineira, formou-se no Brasil em Assistência Social após uma longa experiência como Técnica em Enfermagem. A mudança radical se deu pelo senso de justiça e solidariedade que ela possui. « Pode parecer ingênuo, mas na época eu achava que como assistente social conseguiria diminuir o sofrimento das pessoas e ajudá-las de forma mais ampla e concreta», conta Jailma que desde 2013 mudou-se com o marido suíço e a filha para Zurique.
Ao vir para a Suíça, ela se depara com duas dificuldades : a aprendizagem do idioma e a validação dos diplomas brasileiros. Estes não foram reconhecidos no novo país. Mesmo passando por essas adversidades, ela não deixou a peteca cair. Voltou a estudar e se formou novamente como Auxiliar e depois Técnica de Enfermagem. Há um ano vem trabalhando no FEMO, um Spitex privado em Zurique.

O que vem a ser Spitex?

Spitex é uma organização que oferece cuidados a doentes fora do hospital, com elevado padrão qualitativo do atendimento. Os profissionais formados que trabalham no Spitex fazem visitas à domicílio à pacientes, proporcionando-lhes cuidados e apoio no dia-a-dia. O serviço do Spitex também visa o apoio a familiares que cuidam de pacientes em casa.

Em entrevista exclusiva para o Jornal Perfil, ela nos conta que a imagem do Spitex (sigla para Spitalexterne Hilfe und Pflege) é muito distorcida. « As pessoas acham que Spitex é apenas para idosos, mas não é verdade. Sem contar que muitos acham que fazemos apenas compras e damos comida para o velhinho e vez por outra batemos papo com ele. Porém, o nosso público abrange desde jovens até idosos e as atividades dos profissionais que trabalham no Spitex é bem diversificada», esclarece Jailma. Na verdade, a rotina dentro da instituição, seja ela pública ou privada, vai desde passear com o paciente que, não necessariamente é um idoso, até aplicar determinadas medicações indicadas pelo médico, dar banho, fazer massagem, oferecer tratamento fisioterapêutico, entre outras atividades.

Dedicação

A pessoa que trabalha nesta área tem de dedicar grande parte do seu tempo. No caso de Jailma, ela trabalha de segunda à sexta, de 7 horas da manhã até meia noite, com uma pausa de 4 a 5 horas por dia, e ainda abdica de dois finais de semana por mês para ajudar os seus pacientes. Mas a brasileira não reclama. O amor à profissão foi o motivo pelo qual a fez entrar na área. «Nessa profissão ou você se dedica ou larga, não há um meio termo. Os problemas pessoais devem ficar em casa e, na hora de ingressar no trabalho, o profissional precisa doar-se 100% para a recuperação do paciente. O respeito ao ser humano tem de vir na frente de qualquer coisa. »
Jailma Lenz, que considera o sistema de saúde suíço um exemplo a ser seguido, gostaria de implementar este modelo no Brasil, adaptando-o à realidade local. A técnica de enfermagem acredita que a sua formação como assistente social a ajudará a encontrar o caminho certo para criação de projetos com mais facilidade do que uma pessoa leiga. Focando nos idosos, a brasileira se revolta com o descaso por parte das autoridades e da sociedade brasileira em geral. «Se hoje temos a vida que temos, foi porque eles lutaram para isso, ajudando na construção desse processo. Entao temos de ter muito respeito por essas pessoas. Embora exista o Estatuto do Idoso, este não passa de uma hipocrisia para tapar os buracos existentes dentro da sociedade. Temos é de antender as necessidades dos idosos e respeitá-los », afirma.
Além dos diversos cursos que um profissional no setor de saúde tem de fazer todos os anos, Jailma pretende fazer ano que vem um curso de alemão especializado na sua área profissional. Apesar do fator humano ser o mais importante para exercer bem a profissão, a técnica também é fundamental. "A atualização nessa área significa muito. A responsabilidade é muito grande e os profissionais precisam estar constantemente estudando", diz.
Como Jailma, muitas brasileiras que estão na Suíça trabalham nesta área, em Krankenheim/ Pflegeheim, auxiliando em hospitais e asilo. Todas merecendo um reconhecimento do país dos Alpes.

2 comentários

  • Link do comentário mari mari 15 Outubro, 2015

    Faltou descrever ser humano integro, bondoso e extraordinario que ela é, as suas qualidades são muitas e sua vontade de fazer as coisas fazem elas acontecerem, não faz de nenhum obstáculo impessicilio para conseguir o que deseja, vc jai faz tudo sem interesse, mas com mt boa vontade, isso faz de você uma pessoa nobre e seu senso de justiça é indiscutível

  • Link do comentário Ibizatv productions Ibizatv productions 15 Outubro, 2015

    Exelente profissional que se dedica de coração no que faz . Jailma lenz meus parabens!

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